terça-feira, 23 de outubro de 2007

Superando a demissão

Há momentos na vida em que o chão parece sumir sob os nossos pés, dificultando o próximo passo. Não tenho dúvidas de que a demissão constitui uma experiência capaz de provocar certo torpor e uma sensação de imobilismo que, no primeiro instante, tende ao infinito. O caminho interrompido e a necessidade de construir uma ponte para dar continuidade à trajetória demandam força interior que contrasta com a fragilidade de sentimentos freqüentes nessa ocasião - dúvida, raiva, tristeza, frustração, revolta ou mesmo resignação. O fato é que, exatamente quando nos sentimos mais vulneráveis, enfrentamos uma pressão interna e externa de nos recompor rapidamente e

seguir adiante.

Tudo a seu tempo: não se pode ter tanta pressa que inviabilize a vivência da espécie de luto que ocorre na esteira da demissão, nem complacência demasiada consigo mesmo a ponto de retardar a retomada do percurso. Dispor de um apoio profissional que possibilite imprimir o ritmo adequado faz toda diferença para o indivíduo e também para o mercado de trabalho - o que exige dos profissionais e das empresas uma compreensão muito mais arrojada quanto ao real significado que uma demissão tem para a sociedade.

Empenhadas em importantíssimos projetos de responsabilidade social, muitas organizações fazem bonito da porta de entrada para fora, mas pecam internamente ao descuidar dos processos de demissão de seus colaboradores. Trata-se, obviamente, de uma visão míope. Quando não proporcionam um suporte adequado para que o demitido dê prosseguimento à carreira, essas companhias acabam contribuindo para retardar a volta do profissional à ativa, engrossando o caldeirão de problemas da sociedade.

Se já compreenderam que ao investir em programas de trainees estão preparando os jovens talentos para o mercado, por que é tão difícil utilizar lógica similar no caso das demissões? Se cada organização cuidar com apuro dos funcionários que dispensa, certamente teremos pessoas mais inteiras e prontas a assumir novos projetos e contribuir com os tremendos desafios que a realidade atual impõe às próprias empresas e ao país.

Da parte dos profissionais, faltam também uma certa ousadia, uma pitada de pragmatismo e até maturidade e segurança para, no momento da admissão, negociar as condições da saída. Talvez, por um traço cultural, tenhamos mesmo dificuldade de pensar em rompimento às vésperas da lua-de-mel. No entanto, em um cenário de mudanças rápidas e constantes, com ciclos de permanência cada vez mais curtos, a atitude de não conversar sobre as bases do desfecho se torna absolutamente temerária.

É por essa razão que muitos acabam amargando um período de transição de maior complexidade, pois não souberam compactuar no tempo certo um suporte de outplacement para ajudá-los a realizar com mais tranqüilidade a travessia rumo a uma nova alternativa de ocupação e renda.

Quem perde o emprego invariavelmente pensa em substituí-lo por outro nos mesmos moldes e, de preferência, com maior remuneração. Não é tarefa das mais fáceis, até porque os postos de trabalho com vínculo formal vêm diminuindo consideravelmente, sem contar os processos de fusão e aquisição que, de uma hora para outra, suprimem muitas vagas de trabalho.

Ter uma percepção realista do mercado, ser assistido por interlocutores que ajudem a vislumbrar novas possibilidades e estar apto a fazer um check up de carreira com quem

é especialista são fatores críticos para uma transição bem-sucedida, capaz de promover transformações perenes para uma gestão de carreira mais zelosa e objetiva.

Brigde over troubled water, antiga canção de Paul Simon e Garfunkel, ilustra bem a importância de poder contar com uma ponte para atravessar as águas revoltas e chegar inteiro e em segurança do outro lado. O outplacement permite enxergar esse momento de turbulência como uma parada técnica, viabilizando que a ponte vá sendo construída com solidez e direcionamento, de forma a atingir não qualquer destino, mas aquele que efetivamente se quer alcançar.

As dificuldades de retorno ao mercado de trabalho, especialmente para profissionais mais seniores, são reais - porém, não intransponíveis. Afiar o software mental para desenvolver um olhar criativo e menos convencional possibilita distinguir alternativas que se tornam nítidas apenas quando nos desapegamos das lentes do passado. Diminuem as posições com vínculo formal?

Gazeta Mercantil, Vida Executiva, José Augusto, 22/10/2007

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Brinquedinho didático - CAPITÃO NASCIMENTO (fala de verdade)


Capit?o Nascimento, resivado e ampliado

 


Veja mapas e encontre as melhores rotas para fugir do trânsito com o Live Search Maps! Experimente já!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Fw: Verissimo

Ela: Você me ama mais do que tudo?
Ele: Amo.
Ela: Paixão, paixão?
Ele: Paixão, paixão mesmo.
Ela: Mais do que tudo no mundo todo?
Ele: No mundo todo e fora dele.
Ela: Não acredito.
Ele: Faz um teste.
Ela: Eu ou fios de ovos.
Ele: Você, fácil.
Ela: Daqueles com calda grossa, que a gente chupa o fio e a calda escorre
pelo queixo.
Ele: Prefiro você.
Ela: Futebol.
Ele: Não tem comparação.
Ela: Você esta caminhando, vem uma bola quicando, a garotada grita "Devolve
tio!" e você domina, faz dezessete embaixadas e chuta com perfeição.
Ele: Prefiro você.
Ela: Internacional e Milan em Tóquio pelo campeonato do mundo, passagem e
entrada de graça.
Ele: Você vai junto?
Ela: Não.
Ele: Pela televisão se vê melhor.
Ela: Faz muito calor. Aí chove, aí abre o sol, aí vem uma brisa fresca com
aquele cheiro de terra molhada, aí toca uma musica no rádio e é uma nova do
Paulinho. É Sexta-feira e a televisão anunciou um Hitchcock sem dublagem
para aquela noite... e o Itamar está dando certo.
Ele: Você.
Ela: Voltar a infância só pra poder pisar na lama com o pé descalço e sentir
a lama fazer squish entre os dedos.
Ele: Você, longe.
Ela: A Sharon Stone telefona e diz que é ela ou eu.
Ele: Que dúvida. Você.
Ela: Cheiro de livro novo. Solo de sax alto. Criança distraída. Canetinha
japonesa. Bateria de escola de samba. Lençol recém-lavado.Hora no dentista
cancelada. Filme com escadaria curva. Letra do Aldir Blanc. Pastel de
rodoviária.
Ele: Você, você, você, você, você, você, você, você, você e você,
respectivamente.
Ela: A Sharon Stone telefona novamente e diz que se você se livrar de mim
ela já vem sem calcinha.
Ele: Desligo o telefone.
Ela: Fama e fortuna. A explicação do universo e do mercado de commodities,
com exclusividade. A vida eterna e um cartão de crédito que nunca expira.
Ele: Prefiro você.
Ela: Uma cerveja geladinha. A garrafa chega estalando. No copo, fica com um
quarto de espuma firme. O resto é ela, só ela, dizendo "Vem".
Ele: Hummm...
Ela: Como, hummm? Ela ou eu?
...Silêncio de 5 segundos...
Ele: Qual é a marca?
Ela: Seu cretino!

Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Diário de um marido que sempre repetia que as mulheres se queixam dos serviços domésticos, quando só é preciso um pouco de organização.
 
 
Domingo
 
Sozinho em casa. Vamos passar uma semana tranqüila sem problemas e sem reclamações. Acho que teremos uma semana inesquecível - o cachorro e eu.
Tracei um plano e programei meu tempo. Sei exatamente quando acordar, quanto tempo ficar no banheiro e quanto tempo levar preparando o café.
Tudo planejado. Também somei o número de horas de que preciso para lavar, arrumar, levar o cachorro para passear, fazer compras e cozinhar.
Estou agradavelmente surpreso em ver que ainda me sobra muito tempo livre. Não sei porque as mulheres fazem o serviço de casa parecer tão complicado, quando toma tão pouco tempo e é só se organizar.
O cachorro e eu jantamos um filet mignon cada um. Coloquei sobre a mesa a toalha de festa, uma vela, além de rosas - para criar atmosfera agradável.
Ele come patê de entrada, depois outra vez no prato principal, com fina guarnição de legumes e biscoitos de sobremesa.
Bebo vinho e fumo charuto. Há muito não me sentia tão bem.
Segunda-feira
PRECISO DAR OUTRA olhada na programação. Parece que requer pequenas mudanças.
Expliquei para o cachorro que nem todo dia é feriado, portanto não deve esperar banquetes nas refeições, nem três tigelas, que ainda tenho de lavar.
No café da manhã, notei que suco de laranja caseiro tem uma desvantagem: o espremedor de frutas tem de ser limpo a cada vez.
Uma possibilidade: fazer o suficiente para dois ou três dias. Aí posso lavar com a metade da frequência.
Descoberta: você pode aquecer salsichas na sopa e assim ter menos uma panela para lavar.
Certamente não pretendo passar o aspirador na casa todos os dias, como minha mulher queria. Dia sim dia não é mais do que suficiente.
O segredo é andar de chinelos e limpar as patas do cachorro. Pronto. Sinto-me ótimo.
Terça-feira
TENHO A SENSAÇÃO de que o serviço de casa toma mais tempo do que eu imaginava. Devo repensar minha estratégia.
Primeiro passo: comprei comida pronta. Não preciso gastar tanto tempo cozinhando. Não se deve levar mais tempo cozinhando do que comendo.
Fazer a cama é um problema: sair de baixo das cobertas, depois arejar o lugar e então fazer a cama. É tudo tão complexo! Não acho necessário arrumá-la todos os dias, especialmente sabendo que voltarei a dormir naquela mesma noite. Parece tarefa sem importância.
Descoberta: Percebi que posso usar a mesma cueca por 4 dias, para que trocar todo dia? Na primeira mijada vai molhar mesmo.
Não estou mais preparando refeições complicadas para cachorro. Comprei comida pronta para cães. Ele fez uma cara! Mas o que fazer? Se posso comer refeições semi-prontas, ele também pode.
 
Quarta-feira
CHEGA DE SUCO de laranja! Como pode uma fruta de aspecto tão inocente criar tal confusão? É inacreditável. Comprarei suco de laranja em garrafa, pronto para beber.
Descoberta: consegui sair da cama quase sem desarrumar as cobertas. Tudo que tive de fazer foi alisar um pouco o cobertor. Claro, é preciso prática e não se pode rolar muito durante o sono. Minhas costas doem um pouco, mas nada que um banho quente não resolva.
Parei de me barbear todos os dias. É realmente perda de tempo. Ganho preciosos minutos que minha mulher nunca perde porque não faz barba.
Descoberta: não há necessidade de se comer num prato novo a cada vez. Lavar louça com tanta freqüência começa a me irritar. O cachorro também pode comer numa única tigela. Afinal, é só um cão.
Nota: cheguei à conclusão de que se pode passar o aspirador no máximo uma vez por semana.
 
Quinta-feira
Basta de suco de frutas! As garrafas são pesadas demais.
Descobri o seguinte: salsichas são ótimas pela manhã. No almoço, nem tanto. E no jantar, nem pensar. Se um homem come salsicha por mais de dois dias, pode ter náuseas.
Dei ração ao cachorro. É nutritiva e não suja a tigela.
Descobri que sopa pode ser ingerida diretamente da lata. Tem o mesmo gosto.
Sem vasilha, sem concha! Não me sinto mais um lava-louças automático.
Parei de esfregar o chão da cozinha. Aquilo me irritava tanto quanto fazer a cama. Parece trabalho de presidiário.
Cheguei a concordar que minha mulher apesar de tudo, às vezes ela tem razão.
 
Sexta
 
POR QUE TIRAR a roupa a noite se vou vesti-la de novo pela manhã? Prefiro passar mesmo o tempo deitado, descansando.
Também não há necessidade de usar cobertas, assim a cama já fica feita.
O cachorro sujou o chão. Dei-lhe uma bronca. Não sou seu criado! Estranho. Minha mulher me diz isso de vez em quando.
Hoje é dia de fazer a barba, mas não sinto vontade. A paciência está no limite.
O café da manhã será algo que eu não precise desembrulhar, abrir, fatiar, espalhar, cozinhar ou mexer. Tudo isso me irrita.
Plano: almoçar diretamente na sacola, em cima do fogão. Sem talheres, pratos, toalhas ou qualquer outro absurdo.
As gengivas estão meio inflamadas. Talvez seja a falta de frutas, tão pesadas para se carregar.
Minha mulher ligou a tarde e perguntou se lavei as janelas e as roupas. Cai numa risada histérica.
Disse que NÃO TIVE TEMPO prá todo quarteirão ouvir.
Há ainda problemas no banheiro. Está com um cheiro diferente e a banheira está entupida com espaguete.
Não me incomoda muito, parei de tomar banho mesmo.
Nota: o cachorro e eu comemos juntos, diretamente da geladeira. Tem de ser rápido, para a porta não ficar muito tempo aberta.
Reparei que o cachorro parou de abanar o rabo quando chego em casa.
Porque será?
Que cão ingrato !!!!!!!!
Pensamento desesperado: Acho que vou dar esse FDP só me da trabalho e despesa.
 
Sábado
O CACHORRO E EU ficamos o dia todo na cama vendo TV. Na hora da novela, ficamos vendo a italianada comer todo o tipo de comida e guloseimas. Ficamos com água na boca. CASPITA, estamos ambos fracos e de mau humor.
Comi de manhã algo na tigela do cachorro. É Vero! Nenhum de nós gostou.
Devia tomar banho, fazer a barba, pentear-me, dar comida ao cachorro, levá-lo para passear, lavar a roupa, arrumar, fazer supermercado, entre outras coisas - mas não tenho forças. Sinto que estou perdendo o equilíbrio e minha visão está sumindo.
Peguei ainda o cachorro olhando para a foto de minha mulher. Parecia que chorava. Cão ingrato.
Num último acesso de auto-preservação, rastejamos até um restaurante. Comemos vários pratos de boa comida durante mais de uma hora. Depois fomos
a um hotel. O quarto era limpo, arrumado e aconchegante.
Achei que finalmente havia encontrado a solução ideal para os serviços de casa.
PARECE INCRÍVEL, TANTOS ANOS DE CASADO COM MINHA MULHER E ELA NUNCA PENSOU NISSO.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Discutindo relacionamento

Tarde da noite, já estavam deitados, quando...

MULHER: Se eu morresse você casava outra vez?

MARIDO: Claro que não!

MULHER: Não?! Não por quê?! Não gosta de estar casado?

MARIDO: Claro que gosto!

MULHER: Então por que é que não casava de novo?

MARIDO: Está bem, casava...

MULHER: (com um olhar magoado): Casava?

MARIDO: Casava. é porque foi bom com você....

MULHER: E dormiria com ela na nossa cama?

MARIDO: Onde é que você queria que nós dormissemos?

MULHER: E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?

MARIDO: É natural que sim...

MULHER: E ela ia usar o meu carro?

MARIDO: Não. Ela não dirige...

MULHER: ....!!!! (silêncio)

MARIDO: Fudeu!!

MORAL DA HISTÓRIA: JAMAIS PROLONGUE UM ASSUNTO COM UMA MULHER....

PESSOAS INTELIGENTES

Arnaldo Jabor
 
Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia.
Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2.000 REIS. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
"Eu sei" - respondeu o tolo assim:
"Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda."
 
Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
 
Mas a conclusão mais interessante é:
A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
 
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
 
"O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota, diante de um idiota que banca o inteligente". 

terça-feira, 25 de setembro de 2007


 
A difícil tarefa de demitir
No mundo corporativo, se há um momento crucial em que discurso e prática são postos à prova, sem dúvida é o que envolve o rompimento do contrato de trabalho. Nesta hora, os valores apregoados por uma organização ficam em xeque, desnudando o verdadeiro jeito de ser da companhia. Para as que alinham os preceitos às atitudes, cria-se uma oportunidade interessante: a de demonstrar a quem está saindo - e também aos que permanecem - que o jogo pode até mudar de direção, mas que o respeito ao ser humano e a valorização das pessoas como principal ativo da empresa falam mais alto.
As demissões estão mais freqüentes do que nunca, por várias razões. A competitividade do cenário global traz mudanças muito intensas e, não raro, de grande impacto. Movimentos de fusão e aquisição, redirecionamento dos negócios, demanda por novas competências, tudo isso influencia enormemente o cotidiano das empresas e de seus colaboradores, com o agravante de que os profissionais agora têm de lidar com uma realidade de ciclos cada vez menores, exigências inversamente maiores e até novas formas de contratação, bem mais flexíveis do que as de um passado nem tão distante.
O meio ambiente mudou, e permanece em constante e rápida mutação. Ainda que a demissão tenha se tornado mais freqüente, demitir continua sendo uma tarefa muito complexa, para a qual a grande maioria dos gestores de pessoas está totalmente despreparada. Executivos de Recursos Humanos, por exemplo, surpreendem-se quando eles mesmos enfrentam o desligamento. Ao sentirem na própria pele o sofrimento da ruptura, conseguem então fazer uma releitura das práticas que ajudaram a implementar em suas empresas e, nesse momento, compreendem com maior profundidade o alcance de um suporte profissional como o outplacement.
Sem medo de exagerar, é possível dizer que o mercado não dispõe ainda de total clareza quanto à dimensão do outplacement, seus objetivos e características. Tanto que ainda se percebe uma confusão entre serviços de recolocação profissional contratados por pessoa física, área em que atuam desde consultorias das mais sérias até verdadeiros caça-níqueis, e o outplacement, serviço patrocinado pelo ex-empregador e que não apóia apenas o demitido, mas dá suporte à companhia e aos envolvidos diretamente na condução do processo de desligamento.
Trata-se de uma solução que possibilita lidar com a ruptura de forma mais ampla, amenizando seus impactos em diferentes instâncias. Do ponto de vista do demitido, é um amparo inestimável para que ele possa se recompor e planejar a continuidade da carreira. Para a empresa, significa um eficiente mecanismo que possibilita manter o moral dos remanescentes, reafirmar valores e preservar a imagem interna e externa.
Nem todos se dão conta, porém o outplacement tem grande importância no processo de atração e retenção de talentos. A certeza de um tratamento digno e respeitoso quando do término do contrato de trabalho pesa na decisão de atuar (ou permanecer) em determinada organização. O aprendizado de que a carreira é um patrimônio a ser gerido com competência e apuro ampliou a consciência dos profissionais quanto ao seu verdadeiro papel nos processos seletivos. Se antes a escolha era prerrogativa do contratante, hoje a seleção passa por uma via de mão dupla, com as companhias também sendo eleitas pelos candidatos — e é nessa hora que a conduta corporativa em momentos críticos como a demissão adquire relevância ainda maior.
O outplacement profissionaliza e humaniza as relações de trabalho. Ele não se limita ao momento de comunicação da dispensa ou ao acolhimento do demitido e posterior suporte. Ao contrário, sua eficácia se amplia sempre que a solução está presente desde a tomada de decisão pela dispensa do executivo ou até mesmo antes disso, quando é possível avaliar se a demissão representa, de fato, o caminho mais indicado.
Como, quando, onde e por quem será realizada a comunicação faz enorme diferença e dá o tom da qualidade do relacionamento pós-desfecho. Vale sempre lembrar que, em diferentes momentos da vida, desempenhamos variados papéis, influenciando o entorno. Um colaborador que, mesmo demitido, tem boas referências do ex-empregador traz enormes dividendos para a companhia. Indiscutivelmente, não há melhor cartão de visitas do que esse.
Se desempenhar o papel de agente na demissão do outro já é difícil, o que dizer sobre ser o objeto do desligamento? Inúmeras pesquisas já constataram que perder o emprego está entre os mais estressantes episódios da vida, superado apenas pela experiência da morte de um ente querido e pela separação conjugal. No entanto, é possível enfrentar a demissão de forma produtiva, encarando o período como uma parada técnica, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional.
Gazeta Mercantil, Vida Executiva, José Augusto, 24/09/2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Conflitos sob controle no escritório
Gestores dedicam um quinto do seu tempo à resolução de problemas entre colegas de empresa. Num belo dia, você envia um e-mail despretensioso para um grupo de colegas, fazendo uma brincadeira com um companheiro de trabalho. Ao contrário da reação esperada, a "vítima" revolta-se com a gozação e responde para o grupo todo, com várias ofensas pessoais. Pronto: está criado um sério conflito, que pode gerar problemas - especialmente para você e seu desafeto - no ambiente profissional. A situação acima não é hipotética. Aconteceu, de verdade, com um executivo da área de vendas e estatísticas de uma multinacional do segmento fumageiro, em Porto Alegre. O profissional, que prefere não se identificar, revela que, em função dos insultos recebidos após a frustrada brincadeira virtual, chegou a cogitar uma retratação do colega - um superior hierárquico, mas não direto - na Justiça. Acabou demovido da idéia pelo chefe imediato. Mas isso não melhorou o péssimo clima entre os executivos, que conviveram por um ano e meio com a situação, até que o autor das ofensas saísse da empresa. "A gente não pode esperar muito tempo para tomar uma atitude. Eu sabia que era preciso tentar uma reparação imediata", diz o autor da malsucedida piada. Nos meses seguintes, o problema acabou virando pessoal e, mais do que isso, profissional. Segundo o executivo, que permanece até hoje na companhia, em muitos momentos ele e o colega deixaram de se reunir e falar sobre assuntos inerentes ao andamento do trabalho. Ou seja, o conflito pessoal acabou prejudicando diretamente a atuação de ambos no trabalho. O que lhe valeu uma importante lição. "Depois disso, comecei a ser mais severo comigo mesmo. Tem certas brincadeiras que a gente não pode fazer", admite. Casos como esse são corriqueiros e acontecem a toda hora, em qualquer tipo de empresa. "Os conflitos são bastante comuns. Hoje em dia os gestores e administradores dedicam 20% do tempo ao gerenciamento de conflitos, não só com funcionários, mas também com gestores e funcionários", diz a consultora Patrícia Próspero, da Instrumentos de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo ela, geralmente os conflitos tendem a ser interpretados de forma negativa pela empresa. Entretanto, 80% deles podem ser usados de forma positiva. "Quando você entende que a opinião do outro é divergente e pode ser complementar a sua, isso torna a discussão produtiva. Assim, você passa a entender o modo de ver dos outros. Mas isso só é possível quando estão envolvidos profissionais mais maduros." A consultora sênior da Career Center, Mara Turolla, afirma que a maior parte dos conflitos resulta de falta de afinação em relação ao estilo de trabalho, de comunicação ou mesmo empatia entre os colegas. Segundo ela, o profissional precisa saber o que busca no ambiente profissional. Nesse sentido, diz ela, um dos erros mais comuns é esperar que os colegas venham a se transformar em amigos próximos, suprindo eventualmente a falta de relações deste gênero fora do ambiente profissional. Quando isso não acontece, às vezes, a frustração faz com que muitos executivos acabem deixando a situação degringolar. "Antigamente, o ambiente profissional era afável. Hoje, ninguém mais tem tempo para nada. Entretanto, não é porque o relacionamento é distante que precisa ser ruim", garante Mara. Na opinião de Patrícia Próspero, da IDH, os maiores problemas acontecem quando o choque de idéias se transforma em uma questão pessoal. "A pessoa precisa ter consciência quando um conflito que poderia ter sido evitado está virando uma desavença pessoal. Nessas situações, deve procurar conversar abertamente com a outra para que o conflito possa passar a ser positivo." Escapando com estilo De acordo com a consultora, existem cinco estilos básicos de comportamento, que podem ajudar o profissional a se sair bem diante de um conflito. Não há um estilo certo ou errado, mas sim o mais adequado a cada situação. "Existem muitos conflitos positivos. O gestor precisa saber qual estilo adotar, para tirar melhor proveito de uma situação", explica Patrícia. O primeiro é o estilo competitivo, que se impõe pela qualidade da argumentação e da própria postura. "Em um grupo de bastante gente assertiva, o profissional precisa usar firmeza e personalidade na informação que está passando." O perfil colaborador, por sua vez, tenta trabalhar com o colega e encontrar uma solução considerada boa por ambos. Já o conciliador enxerga uma solução rápida e prática, que não compromete a posição defendida por nenhuma das partes. Assim, ele não necessariamente precisa trabalhar junto com o colega e, de certa forma, também não abre mão da competitividade. Além destes estilos, ainda existem o driblador e o harmonizador. O primeiro, que pode ser aplicado por um gerente recém-contratado, por exemplo, geralmente evita todos os tipos de conflito possíveis. "Para ele, primeiro, é importante conhecer a empresa e sua cultura, para depois passar a atuar da sua maneira", explica Patrícia. Já o harmonizador é aquele que, muitas vezes, abre mão de seu interesse para evitar a briga. "Neste caso, o profissional corre o risco dessa generosidade se tornar bastante negativa, especialmente se o objetivo for simplesmente agradar o outro", adverte a consultora
Gazeta Mercantil, Vida Executiva, Marcelo Monteiro, 19/09/2007